Marco Aurélio Dias explica a simplicidade

marquinho filósofo
Marco Aurélio Dias analisou a vida simples de Nhá Chica e a sua busca consciente da vida simples. Entendeu que ela fugia do desejo de não ser ela mesma. Percebeu que toda vez que sentimos nossa pobreza natural, nosso desamparo contínuo, temos uma sensação interna de pânico e somos instigados a querer ser mais do que somos, fugimos da simplicidade (pelo menos em pensamento) e buscamos o poder, que é representado por mais dinheiro, mais beleza, restaurantes, carros, amizades supostamente mais interessantes, pois imaginamos erroneamente que a pessoa cheia de bens materiais é diferente e que a vida para ela é melhor do que a que não tem grandes fortunas materiais. A vida simples é a única vida real e estamos sempre fugindo dela. A questão não está em julgar se isto é certo ou é errado, mas em saber que se trata de um processo inconsciente. Sentimos necessidade de competir com aqueles que achamos estarem melhor do que nós. Quando a pessoa descobre que essa competição não leva a nada, nem vai fazer a pessoa ser mais do que qualquer outra, pois a velhice, a pobreza natural e a morte nivela todos, então torna-se um sujeito diferenciado e consciente. Nhá Chica tornou-se consciente dessa vaidade e aprendeu a ser simples, a aceitar a simplicidade e a viver a vida simples, embora fosse de origem simples. Devemos controlar o impulso para fugir da simplicidade quando a percebemos, pois ele é um medo infundado que somente nos afasta da realidade. Não precisamos esconder e nem fugir da simplicidade natural. Não precisamos fugir de nós mesmos.